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Cozinha de Sentidos

Seg | 28.08.23

Bolas de berlim vegan

Gualter Rainha - Cozinha de Sentidos

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A receita que trago hoje é uma adaptação à tradicional receita das bolas de berlim.

A massa fica fofa, mas deverá respeitar o tempo sugerido de fermentação, enquanto levedam. O tempo estimado pode variar conforme a temperatura ambiente e estação do ano. As leveduras gostam de temperaturas mais quentes.

Em relação ao recheio, este fica muito bom, caso não goste do sabor do ovo tem de experimentar este creme, fica muito saboroso e é pouco enjoativo. Eu antes não gostava do sabor das comuns devido ao ovo, e gosto de me lambuzar com esta versão, volta e meia, quando a preparo, embora não seja o meu doce ideal, talvez pela fritura. 

Para quem adora bolas de berlim, tem aqui esta opção 100% vegetal para experimentar, apta para veganos, pessoas com alergia ao ovo, e aos derivados do leite, tenho certeza que vai gostar.

12 a 14 unidades 

Para a massa

  • 500 gr. de farinha sem fermento tipo 65
  • 250 ml de bebida de soja
  • 5 colheres de sopa de creme vegetal (manteiga)
  • Raspa de 1 limão
  • Metade de uma saqueta de fermento seco (usei Fermipan)
  • 20 ml de aguardente
  • 3 colheres de sopa de açúcar
  • Óleo para fritar
  • Pitada de sal

Para o recheio:

  • 80 g de puré de cenoura ou de abóbora (cozidas)
  • 250 ml de leite de soja
  • 1 colher de sopa de creme vegetal
  • Pitada de sal fino
  • 140 g de açúcar
  • 3 gotas de essência de baunilha
  • 16 g. de amido de milho

Preparação:

  1. Vamos preparar a massa. Aqueça previamente a bebida de soja com o creme vegetal, até a bebida de soja ficar morna, e o creme vegetal derreter. Para perceber se a temperatura é a ideal, deverá consentir a temperatura no dedo por alguns segundos sem se queimar. Neste ponto acrescente o fermento, e envolva-o bem com a bebida de soja até se dissolver por completo.
  2. Num recipiente acrescente os secos, e aos poucos vá incorporando a bebida de soja com o fermento, até obter uma massa. Sova com a palma das mãos até a massa ficar sedosa e elástica e a soltar-se dos dedos. Depois deixe repousar no interior do recipiente coberto com um pano, para levedar até que duplicar de volume. Deverá demorar cerca de 1 hora.
  3. Entretanto prepare o creme para rechear as bolhas de berlim, para ter tempo de arrefecer. Deverá cozinhar a abóbora ou a cenoura previamente, e escorrer o excesso de água muito bem. A seguir junte todos os ingredientes num copo de varinha mágica ou no liquidificar, e triture até obter uma mistura homogénea e fina sem grumos. Leve esta mistura a cozinhar num tacho em lume brando até começar a borbulhar. O creme irá engrossar, e não deverá deixar borbulhar mais que 1 minuto. Depois disto desligue o lume, cubra a parte superior do creme com uma pelicula aderente e deixe arrefecer.
  4. Após a massa ter levedado, polvilhe a superfície de uma mesa com farinha, e da massa faça 12 a 14 bolinhas pequenas uniformes, deixe levedarem mais 20 a 30 minutos, e de seguida leve a massa das bolas de berlim a fritar em óleo quente até ficarem douradinhas de ambos os lados.
  5. Entretanto com uma vara de arames bata o recheio para ficar cremoso. Encha um saco de pasteleiro com este creme, faça um corte nas bolas de berlim, e recheie bem o seu interior como vê na imagem.
  6. Polvilhe as bolas de berlim com açúcar de confeiteiro ou açúcar, se quiser.

Bom apetite.

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Qui | 10.08.23

Guisado Regional com soja

Gualter Rainha - Cozinha de Sentidos

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Hoje trago um prato que gosto imenso, mas em versão vegetariana.

Nasci numa família de mordomos, do Império dos Inocentes, onde as tradições do Divino Espírito Santo estão muito presentes, e cresci a comer os guisados feitos pela minha mãe e pela minha avó, e eram sobretudo servidos ao fim-de-semana, ou nas festas relacionadas com os impérios, onde a versão tradicional é servida com carne de vaca.

Sabe bem hoje em dia, comer este prato nesta versão vegetal, quando o preparo, e sinceramente faz lembrar imenso os guisados comuns, o que é reconfortante. E mais ainda, chegar a casa da minha mãe, e por vezes ter este prato em versão vegetariana confecionado pela minha mãe para mim, é carinhoso, e mostra o seu cuidado, amor e empatia.

Espero que goste desta versão.

Ingredientes

  • 500 g de soja demolhada e escorrida
  • 600 g de batata nova descascada
  • Cerca de 600 ml de água, até cobrir os ingredientes.
  • 1 cebola pequena picada
  • 2 dentes de alho picados
  • Fio de azeite generoso
  • Sal a gosto
  • 2 colheres de sopa de calda de pimenta da terra
  • 2 colheres de sopa de polpa de tomate
  • 125 ml de vinho branco
  • 1 colher de sobremesa de paprika fumada
  • 1 colher de chá de colorau
  • 1 folha de louro (opcional)

Preparação

  1. Comece por demolhar os nacos de soja por algumas horas. Depois de demolhada lave-a bem em água corrente, e aperte-a com as mãos para que fique bem escorrida. Reserve.
  2. Num tacho, comece por refogar a cebola com o azeite até ficar translúcida. Depois acrescente os restantes temperos e o vinho branco, e deixe começar a borbulhar. De seguida, acrescente a soja demolhada, e envolva-a com o refogado durante 5 minutos.
  3. Por fim, adicione a batata e a água, tempere com o sal necessário, e deixe cozinhar até a batata ficar macia, e conseguir espetar-lhe a ponta de uma faca sem esforço.

Em relação à água que junta ao guisado, deverá juntar apenas o suficiente até cobrir ligeiramente os ingredientes para que cozinhem bem.

Bom apetite.

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Seg | 07.08.23

Sopas do Espírito Santo - adaptação vegetariana

Gualter Rainha - Cozinha de Sentidos

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As sopas do Espírito Santo, são um prato típico dos Açores com séculos, que reúne milhares de pessoas à volta das mesas dos Impérios, para celebrarem as festas em honra do Divino Espírito Santo. Além destas sopas serem uma iguaria bastante apreciada, estão fortemente ligadas ao lado sentimental pela devoção dos fiéis ao Divino Espírito Santo.

As receitas variam de ilha para ilha, mas é comum em todas elas o pão de trigo duro, as carnes “menos nobres”, o caldo da cozedura das carnes, e o endro ou a hortelã que as torna aromáticas.

Esta receita, é uma versão vegetariana das sopas, com o caraterístico cheirinho e sabor da hortelã. 

De forma a evitar "ferir suscetibilidades religiosas", informo que esta receita é inclusiva, e é uma adatação à receita dos impérios. Existem vegetarianos católicos, que também têm direito a vivenciarem as tradições/ costumes de forma adaptada, e não há mal nenhum nisso. Açorda, caldo, sopas do império, ou do Esperíto Santo, o intuito é ter uma alternativa, e sinceramente não fiz a partilha para debater crenças de fieis ofendidos, como aconteceu numa partilha da receita numa outra página, porque sou católico, e sinto pela fé as festas tanto como quem come as tradicionais sopas. Porque a essência é essa mesmo, a fé. 

Ingredientes

  • ½ kg de nacos de soja demolhada e espremida
  • 2 cebolas bicadas grosseiramente
  • 4 dentes de alho picados
  • 2 cubos de caldo de legumes
  • 8 fatias de pão de trigo regional
  • 1 litro e meio de água
  • 200 ml de vinho branco
  • Um raminho de hortelã de sopa
  • Sal q.b.
  • Fio de azeite
  • 1 colher de sopa de creme vegetal
  • 1 colher de café de pimenta branca
  • 1 colher de chá de pimenta da terra
  • 2 Colheres de sopa de molho de soja

Preparação

  1. Comece por demolhar a soja em água temperada com sal durante 1 hora. Depois da demolha esprema bem para remover todo o excesso de água.
  2. Num tacho, refogue ligeiramente a cebola e os alhos picados num fio de azeite generoso, até que a cebola fique translúcida. Depois acrescente a pimenta branca, a pimenta da terra, o molho de soja, o creme vegetal e, o vinho branco, e deixe que refogue durante 3 minutos para o álcool evaporar.
  3. Junte os nacos de soja que hidratou previamente ao refogado, e envolva-os bem com o refogado para absorverem parte do sabor. Depois acrescente o caldo de legumes dissolvido em 1 litro e meio de água, tempere com sal, e deixe que a soja cozinhe durante 15 a 20 minutos. Após esse tempo desligue o lume.
  4. Numa terrina individual, coloque duas fatias de pão caseiro, com um pouco de hortelã fresco, e sirva caldo por cima. Acrescente a soja cozinhada e sirva ainda quentinho.

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Ter | 01.08.23

Açorda Regional de tomate e pão de trigo

Gualter Rainha - Cozinha de Sentidos

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Hoje vim partilhar uma receita especial para mim, e adoro-a por vários motivos: pela sua simplicidade, pela sua leveza, e ter também valor sentimental.

Esta era, e é uma daquelas receitas que a minha mãe prepara quando há mais tomates maduros por casa, e no verão há sempre imensos. O cheirinho a tomate na cozinha é maravilhoso, e degustar alguns dos sabores tão típicos regionais neste caldo simples, é deveras uma maravilha.

Para preparar esta açorda de tomate, pode encontrar muitos dos ingredientes na Feira Açorianíssimo, a decorrer de 1 a 21 de agosto nas lojas Continente e Meu Super. Aproveite para encontrar não só estes, mas outros produtos e marcas que estarão em folheto com preços fantásticos.

Ingredientes

  • 400 g de pão de trigo regional cortado em pedaços ou às fatias
  • 500 g de tomate redondo picado aos cubos
  • A cebola grande picada grosseiramente
  • 4 dentes de alho picados
  • 1 fio de azeite generoso
  • 100 ml de vinho branco
  • 1700 ml de água Glória Patri
  • 1 colher de calde de pimenta
  • 3 batatas para cozer cortadas em cubinhos (marca verdito)
  • Sal q.b.

Modo de preparação

  1. Comece por lavar e cortar os ingredientes com o corte referido, e reserve-os.
  2. Num tacho, aqueça um fio generoso de azeite, junte a cebola e deixe que refogue um pouco até ficar translúcida. Depois acrescente os alhos, o vinho branco e o tomate, e deixe levantar fervura durante 2 minutos.
  3. Após ter o tomate levemente refogado, acrescente as batatas aos cubinhos, a calda de pimenta, e junte a água. Envolva e tempere com sal a gosto. Deixe levantar fervura e cozinhar em lume brando por 5 a 7 minutos.
  4. O último passo é mesmo acrescentar o pão. Pode optar por juntar o pão cortado miúdo, ou fazer como as sopas do Espírito Santo com as fatias de pão a ensopar com o molho da açorda. Pode ainda aromatizar a receita com ervas aromáticas como a hortelã de sopa, ou com salsa fresca da marca Easy. Fica ótimo com as duas sugestões.

Sirva a açorda quente ou morna. Bom apetite.

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